sábado, 23 de junho de 2012

Escravo de orelha furada


       Na sociedade israelita do tempo coberto pelo Pentateuco e pelos livros Históricos havia a figura da escravidão. Os escravos eram feitos assim por consequência da guerra, das dividas contraídas e não pagas, ou comprados. Para amenizar a vida de israelitas envolvidos nessa instituição como escravos Deus determinara que, de tempo em tempo, esses escravos fossem libertados. “Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas, ao sétimo, sairá forro, de graça. Se entrou só com o seu corpo, só com o seu corpo sairá; se ele era homem casado, sairá sua mulher com ele” Ex 21.2,3. Se esse escravo, no ano de sua libertação (o sétimo ano), por amor ao seu senhor não quisesse a liberdade, o seu senhor o levava aos anciãos da cidade e ali a sua orelha seria furada e ele se tornaria seu escravo à vida toda. “Mas, se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos, não quero sair forro, então, seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao postigo, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e o servirá para sempre” Ex 21.5,6.
      Olhando a questão da escravidão do ponto de vista teológico podemos constatar, pelo ensino bíblico, que o ser humano é escravo do pecado, por natureza. Quando o homem nasce já nasce sob a escravidão do pecado e debaixo de condenação. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23. “... todo aquele que comete pecado é servo do pecado” Jo 8.34. “Porque o salário do pecado é a morte,...” Rm 6.23.
      Quando o ser humano passa pela experiência da conversão ele é libertado da escravidão do pecado. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” Jo 8.36. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor’ Cl 1.13. Graças a essa libertação proporcionada por nosso Senhor Jesus Cristo, nos é revelado que o pecado não terá domínio sobre nós, porque não estamos mais debaixo da lei e sim da graça.  (Rm 6.14).
     A libertação do homem da escravidão do pecado foi proporcionada pelo derramamento do sangue de Jesus na cruz do Calvário, pagando Ele assim o preço de nossa libertação. “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” 1 Pe 1.18,19.
     Vimos acima que Jesus nos comprou com o seu precioso sangue. Assim sendo não nos pertencemos mais a nós mesmos e sim ao Senhor. Somos sua propriedade. Ele é o nosso Senhor e nós os seus servos. “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” Rm 6.18. “Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” Rm 6.22.
     Quando a pessoa crer em Jesus e o aceita como Salvador, automaticamente, ela passa a ter sobre si o senhorio de Cristo. Pertence a Ele para sempre, foi comprado por bom preço, é um escravo de orelha furada.
      Sabemos que um escravo, apesar de ter como ser humano que é, uma vontade, a vontade que prevalece no relacionamento entre ambos é a vontade do Senhor.
      A grande pergunta que se faz é como encaramos essa relação? Somos escravos de “orelhas furadas”, que voluntariamente procuramos viver em função do nosso Senhor e de sua Igreja ou queremos viver ainda fazendo a nossa vontade pecaminosa?
    Irmãos é hora de nos posicionarmos como servos de Cristo, obedecendo em tudo a sua santa vontade.
                                    Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

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